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O caminho sustentável da arte: integrando planejamento estratégico e financeiro

alinetavaresmtz

Atualizado: 1 de fev. de 2024




No pulsante universo artístico, muitos grupos e artistas são apaixonados por sua expressão criativa, mas, na maioria das vezes, negligenciam a importância do planejamento estratégico e financeiro para garantir sua longevidade. Planejar não garante o sucesso de ninguém, mas certamente diminui drasticamente as possibilidades de fracasso de uma iniciativa. Trata-se de uma ferramenta valiosa que auxilia na identificação do presente, passado e futuro de um grupo cultural, proporcionando uma nítida visão dos caminhos percorridos e aqueles que devem ser trilhados.


A diretora da Bravo!, Aline Tavares, compartilha uma experiência que viveu durante um treinamento para um grupo de teatro composto por 11 membros. “Eram 11 artistas incríveis, no auge de suas expressões artísticas, empoderados, talentosos e cheios de energia para produzir. Ao analisar as expectativas individuais, no entanto, ficou evidente que cada membro tinha objetivos tão diversos que a coesão do grupo estava comprometida. Uns queriam ser globais, outros underground, outros queriam fazer teatro do oprimido nas favelas, outros queriam brilhar na Broadway.” Em uma decisão difícil, quando entenderam este cenário tão dísparo, optaram por dividir o grupo em partes, reconhecendo que seria preferível tomar tal decisão antes que questões financeiras e outros desafios se intensifiquem.


Esta situação ilustra como a falta de alinhamento de objetivos pode levar à instabilidade e eventual dissolução de um grupo cultural. É assim que muitas parcerias se acabam, quando os artistas já não olham para o mesmo horizonte. Está tudo bem ser diferente, desde que as diferenças possam ser aproveitadas para enriquecer o processo e que as pessoas estejam minimamente alinhadas quanto ao propósito do grupo. Deste modo, a reflexão sobre a identidade coletiva e o propósito do grupo torna-se crucial. Não é perda de tempo reunir-se para responder perguntas fundamentais, como "Quem somos?" e "Qual é nosso propósito?" A reflexão sobre a trajetória desempenha um papel vital no planejamento estratégico. Analisar os caminhos percorridos permite avaliar a consistência entre a trajetória passada e a visão futura. É um momento de avaliação crítica para entender o que funcionou, o que não funcionou e como essas experiências moldam os objetivos futuros.


Para orientar a discussão, é fundamental perguntar quais são os objetivos futuros do grupo. Quais metas desejam alcançar e quais desafios se apresentam no caminho? Identificar esses desafios é crucial para desenvolver estratégias que possam superá-los. Isso envolve uma compreensão profunda dos obstáculos potenciais, sejam eles financeiros, logísticos ou criativos.






Complementando o Planejamento Estratégico: Análise SWOT e Planos de Ação


Além das reflexões sobre identidade e propósito, aprofundar a estratégia de planejamento envolve a realização de uma análise SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças). Essa abordagem oferece uma compreensão abrangente dos fatores internos e externos que afetam o grupo cultural, sendo uma ferramenta valiosa para identificar áreas de melhoria e oportunidades a serem exploradas.


1. Forças:

Identificar os pontos fortes do grupo, como talentos individuais, experiências passadas bem-sucedidas e características únicas que o distinguem. Desenvolver estratégias para potencializar esses pontos fortes, seja através de treinamentos, parcerias estratégicas ou projetos específicos que destaquem as habilidades do grupo.


2. Oportunidades:

Explorar as oportunidades disponíveis no ambiente externo, como tendências culturais, demandas de mercado, questões políticas e colaborações potenciais. Criar planos de ação para capitalizar essas oportunidades, ajustando projetos existentes ou desenvolvendo novas iniciativas alinhadas às tendências emergentes.


3. Fraquezas:

Reconhecer as áreas de melhoria interna, como falta de recursos financeiros, habilidades técnicas limitadas ou falta de visibilidade. Implementar medidas corretivas, como buscar financiamento, investir em capacitação profissional ou promover estratégias de marketing para aumentar a visibilidade.


4. Ameaças:

Identificar ameaças externas, como concorrência acirrada, mudanças nas políticas culturais ou crises econômicas que possam afetar negativamente o grupo. Desenvolver estratégias de mitigação, como diversificação de fontes de receita, construção de uma rede de apoio ou adaptação de projetos para lidar com desafios específicos.


Ao integrar a análise SWOT ao planejamento estratégico, os artistas e grupos culturais não apenas ganham uma compreensão mais profunda de sua posição no cenário cultural, mas também adquirem as ferramentas necessárias para potencializar seus pontos positivos e gerenciar eficazmente os desafios. O comprometimento com esse processo fortalece a base para um crescimento sustentável e uma contribuição significativa para a sociedade através de suas expressões artísticas.



Planejamento Financeiro: Transformando Visão em Sustentabilidade


No processo de planejamento estratégico para artistas e grupos culturais, a análise financeira desempenha um papel crucial. Traçar metas claras e realistas para o retorno financeiro é essencial para garantir a sustentabilidade do grupo ao longo do tempo. Aqui estão alguns passos importantes para integrar o aspecto financeiro ao planejamento estratégico:


1. Definir Metas Financeiras:

Estabelecer metas claras de retorno financeiro, considerando custos operacionais, salários dos membros e investimentos em projetos futuros. Entender quanto tempo o grupo precisa para chegar ao patamar escolhido.


2. Criar uma Reserva Financeira:

Reconhecer a importância de uma reserva financeira como um amortecedor para situações inesperadas, como cancelamento de projetos, novas epidemias, emergências ou períodos de baixa atividade. Determinar uma porcentagem da receita a ser destinada à reserva para garantir a estabilidade financeira a longo prazo.


3. Diversificar Fontes de Receita:

Explorar diversas fontes de financiamento, como editais culturais, patrocínios, doações, contratos de apresentação em escolas públicas, eventos corporativos e inscrições em festivais.

Planejar estratégias específicas para cada fonte de receita, adaptando abordagens conforme a natureza de cada oportunidade.


Ao integrar cuidadosamente o planejamento financeiro ao processo estratégico, os artistas e grupos culturais podem transformar sua visão artística em uma prática sustentável e impactante. O comprometimento com metas financeiras realistas, estratégias diversificadas e uma abordagem proativa para a captação de recursos cria uma base sólida para a realização contínua de projetos culturais inspiradores.

A arte não precisa ser inimiga dos recursos financeiros, ao contrário,deve utilizar-se deles para gerar condições dos artistas se preocuparem apenas em trabalhar e  estudar novos métodos de fazer sempre melhor aquilo que mais gostam de fazer.

 
 
 

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